Grande almoço em São Pedro da Cova

Prosseguir a luta<br>pelos valores de Abril

Jerónimo de Sousa participou, domingo, num almoço comemorativo da Revolução dos Cravos em São Pedro da Cova, onde se falou da necessidade de recolocar o País nos caminhos de Abril.

As conquistas de Abril não foram oferecidas mas conquistadas

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«Sejam bem-vindos a esta Terra de Abril! Terra da luta operária, da resistência, do processo revolucionário, da participação popular. Sejam bem-vindos a São Pedro da Cova!» Foram estas as palavras escolhidas por Daniel Vieira (presidente da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova) para dar início às intervenções e saudar as cerca de 500 pessoas que, no passado domingo, estiveram no maior almoço comemorativo da Revolução de Abril no distrito do Porto.

Por esta altura, no entanto, já uma outra saudação havia sido feita. Uma saudação – sem palavras – preparada pelos mais de 50 militantes e amigos do Partido que trabalharam durante três dias para que aquele almoço fosse possível: uma saudação na forma da cuidadosa decoração; do impecável serviço às mesas; da qualidade e atenção com que foram preparadas as entradas e o prato principal – uma saborosa feijoada –, que impressionaram todos os presentes e levaram a que Jerónimo de Sousa iniciasse a sua intervenção dizendo: «há partidos onde os seus militantes pensam no que o partido lhes pode dar, e há um partido em que os seus militantes pensam “o que é que eu posso dar ao Partido”».

Jerónimo de Sousa, recordando dois acontecimentos que ficaram inscritos na nossa história – os 41 anos da Revolução de Abril e os 40 da eleição da Assembleia Constituinte –, destacou o papel dos comunistas, do povo português e das Forças Armadas na construção do Portugal de Abril: não foram «nem estrategas militares, nem políticos criativos que inventaram a consigna Povo-MFA», lembrou, acrescentando que em todo o processo revolucionário «nenhuma das suas realizações foi oferecida ao povo português, nem por salvadores nem pelo poder político, nem pelos militares».

Essas realizações, garantiu, foram «conquistadas pelo povo, reconhecidas pelo MFA e depois consagradas pelos deputados constituintes». A Assembleia Constituinte, ela mesma uma expressão do «direito de votar, eleger e ser eleito», resultou de umas eleições com uma «participação irrepetível de 91 por cento dos eleitores inscritos». Dela resultou uma Constituição que define que é «no povo português que reside a soberania».

Batalhas exigentes

Foi a partir deste ponto que o Secretário-geral partiu para descrever as consequências desastrosas dos últimos cinco anos de sucessivos PEC e do pacto de agressão que, sublinhou, conduziram à «degradação de todas as esferas da nossa vida colectiva». A esta degradação não escapou o próprio poder político dominante, marcado pela «promiscuidade entre negócios públicos e interesses privados, pelo acumular dos casos de corrupção e de compadrio».

Assim, acrescentou, «com eleições à porta», os partidos da política de direita procuram empurrar uns para os outros a responsabilidade pela «situação de ruína e de declínio» em que se encontra o País. A este propósito, o Secretário-geral do Partido desmontou a afirmação proferida naquele mesmo dia por António Costa, de que é preciso conter os sonhos, porque temos de viver em conformidade com as possibilidades do País. O problema, garantiu Jerónimo de Sousa, é saber se o PS, com esta afirmação, está apenas a esconder que «afinal não quer mexer em coisa nenhuma». Quanto ao PSD e ao CDS, o programa de reformas fala por si: estes partidos visam apenas prosseguir a «política da troika, sem a troika».

O Secretário-geral do Partido valorizou ainda, na sua intervenção, o carácter decisivo da luta dos trabalhadores. Se o Governo está, hoje, politicamente morto, a ela se deve, o que por si só representa uma «grande vitória».

Antes de Jerónimo de Sousa intervieram Jorge Machado, membro da Direcção da Organização Regional do Porto e deputado do PCP, e João Corregedor da Fonseca, dirigente da associação Intervenção Democrática. Ambos acrescentaram argumentos para as exigentes batalhas que esperam os comunistas, os democratas os patriotas.

 



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